Nas últimas semanas, denúncias de assédio sexual e estupro envolvendo o campus da Unesp de São José dos Campos ganharam destaque na mídia regional e nacional, gerando grande repercussão entre estudantes, professores e profissionais da saúde. Segundo reportagens e manifestações estudantis, os relatos envolvem episódios ocorridos ao longo dos últimos anos e levaram à abertura de procedimentos internos de investigação pela universidade.
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Imagem do Portal G1
O caso veio à tona após o depoimento público de uma estudante que relatou ter sofrido violência sexual durante o período de graduação. estudante da UNESP relata que pegou uma carona com destino a rodoviária da cidade com um professor com um professor do curso. No meio da carona, houve um desvio para uma rua escura e vazia onde o estupro ocorreu. A partir desse relato feito pelas redes sociais, outras denúncias surgiram, ampliando o debate sobre a segurança e o acolhimento dentro do ambiente universitário.
A universidade informou a adoção de medidas administrativas para apurar os relatos apresentados, incluindo a abertura de processos internos de investigação. Dois professores foram afastados de seus cargos enquanto as investigações avançam. É importante observar que tudo isso só foi possível depois de muitas denúncias, exposição e protestos públicos que ocorreram na Universidade. Por conta da ineficiência de canais como a Ouvidoria da faculdade na época do acontecimento, essas denúncias tiveram que ser feitas dessa forma via internet. Dessa forma, a repercussão foi muito pior para todos os envolvidos com os casos.
Cultura de assédios dentro da graduação?
Há relatos da existência de certa uma “cultura de assédios” dentro da graduação. As calouras já eram avisadas, ao ingressarem na Universidade, sobre possíveis cuidados que deveriam tomar com certos professores. A orientação vinha das próprias alunas veteranas. Obviamente, isso é mais um grande absurdo que mostra que muitos desses crimes poderiam ter sido evitados caso houvesse mais empenho e vontade da própira Universidade em resolver esses assuntos de uma maneira mais rígida.
Independentemente do resultado das apurações, o episódio reforça uma discussão que vai muito além de uma única instituição. Universidades são espaços de formação profissional, científica e humana. Por isso, precisam garantir ambientes seguros, respeitosos e livres de qualquer forma de violência, discriminação ou abuso de poder.
Vejam aqui o vídeo de denúncia da Dra. Bárbara Hatje – https://www.instagram.com/reels/DX60mnOittG/
EPISÓDIO PODSONDAR 173 – BÁRBARA HATJE
O Podcast PodSondar entrevista no dia 15/06/2026 a cirurgiã dentista Bárbara Hatje. Ela acabou ganhando destaque nacional após denunciar ter sofrido assédio sexual durante uma aula, dentro do laboratório com outros alunos presentes. E não para por aí. Sentido-se totalmente tranquilo por conta do clima de impunidade, o mesmo professor começou a persseguir a Bárbara, questionando sua ausência em ulas de laboratório com ele e deixando-a de recuperação na matéria dele. Ela ainda relata outros casos de assédio na pós graduação e no mestrado na UNESP. A entrevista, além de escutar os relatos da Bárbara tem como objetivo prevenir novos casos cobrando da UNESP e de responsáveis os itens à seguir:
- Necessidade de investigação rápida, imparcial e transparente dos fatos;
- Proteção e acolhimento às vítimas durante todo o processo;
- Fortalecimento dos canais de denúncia;
- Combate à cultura do silêncio e do medo de represálias;
- Implementação de políticas permanentes de prevenção ao assédio;
- Treinamento e conscientização de estudantes, docentes e servidores.
Na área da saúde, incluindo a Odontologia, a formação ética é tão importante quanto a formação técnica. Profissionais que cuidarão de pacientes precisam desenvolver competências relacionadas ao respeito, à empatia, à responsabilidade e à integridade em todas as relações interpessoais. Casos como este também evidenciam a importância de mecanismos eficazes de acolhimento psicológico e jurídico para vítimas, além de canais de denúncia confiáveis que permitam a comunicação de situações de assédio sem medo de retaliações.
A discussão gerada pelas denúncias pode servir como oportunidade para que instituições de ensino revisem protocolos, fortaleçam políticas de prevenção e promovam uma cultura de respeito mútuo. Mais do que reagir a crises, é fundamental construir ambientes acadêmicos nos quais estudantes e profissionais se sintam protegidos e ouvidos.
Notícias e reportagens sobre o caso
- Jornal Vanguarda (Globo) – estudantes pedem investigação de denúncia de estupro
- Sintunesp – denúncias de assédio em São José dos Campos
- CSP-Conlutas – mobilização estudantil e afastamento de docentes investigados
- Professores são afastados após denúncias
Luiz Rodolfo
Dicas Odonto
